
A ansiedade é uma condição que afeta todo mundo. Quem nunca sentiu ansiedade diante de algo desconhecido? Ou estava ansiosa ou ansioso por algo que está por vir? Ela aparece sempre que queremos evitar o desprazer ou a dor.
O problema é quando a ansiedade é muito intensa e persistente, causando mal estar ou desequilíbrio físico ou emocional. Quando a qualidade de vida da pessoa é afetada pela ansiedade.
Segundo a OMS Organização Mundial da Saúde, 264 milhões de pessoas sofrem de ansiedade no mundo, sendo a sexta principal causa de afastamento e incapacidade de trabalhar e estudar.
No Brasil, estima-se que 9,3% da população têm algum sintoma ou transtorno de ansiedade. Em crianças e adolescentes esse percentual é ainda maior: cerca de 20% de crianças e jovens desenvolvem algum tipo de ansiedade.
A pandemia da Covid-19 afetou a saúde mental de todos os brasileiros e os casos de ansiedade triplicaram. A pandemia trouxe medo, insegurança, incerteza – sentimentos diretamente ligados aos transtornos de ansiedade.
Neste texto vamos trazer a ansiedade sob o ponto de vista da psicanálise, como uma resposta à angústia. Falaremos dos sintomas, possíveis causas e tratamentos.
Segura a ansiedade e siga o texto.
O QUE É ANSIEDADE?
A ansiedade é uma tentativa de prever uma ameaça ou perigo futuro. Ela tem a função de proteger e evitar que a pessoa sinta dor ou desprazer. Por isso todos nós, em maior ou menor intensidade, em algum momento nos sentimos ansiosos.
É a forma que encontramos de evitar surpresas, de ter controle sobre tudo. Queremos nos certificar de que não corremos perigo, queremos proteger a nós ou a alguém que amamos. É um excesso de preocupação.
Para a psicanálise, a ansiedade é um sintoma relacionado à angústia, uma das emoções mais primitivas do ser humano e a mais difícil de enfrentar. Como o motivo da angústia geralmente é inconsciente, sentimos ansiedade e medo do desconhecido. É um sentimento avassalador.
Freud descreve a angústia como um afeto experimentado pelo ego diante de um perigo que, em última análise, tem sempre o significado do temor da separação e da perda do objeto. Freud também aponta três tipos de angústia:
- Angústia diante de um perigo real – é o medo que sentimos quando estamos física ou emocionalmente ameaçados. Aqui o perigo realmente existe, como nos casos de assaltos, acidentes, brigas, ataques.
- Angústia automática, desencadeada por uma situação ou lembrança traumática – é a apreensão que sentimos quando estamos diante da possibilidade de que algo ruim aconteça novamente. A expectativa é de que um trauma se repita e geralmente conseguimos identificar o que está nos causando a angústia.
- Angústia sinal, causada pela expectativa de que há uma ameaça – é aqui que mora a ansiedade. Fazemos previsões de que algo ruim vai acontecer e ficamos pensando o tempo todo em formas de evitar que isso aconteça ou fugir da situação.
QUAIS SÃO OS SINTOMAS DA ANSIEDADE?
Quem sofre de ansiedade costuma sentir um aperto no peito e uma sensação de que o coração vai sair pela boa. Taquicardia, suor excessivo, tremores em todo o corpo são outros sinais comuns da ansiedade. Em alguns casos, pode aparecer até falta de ar e problemas gastrointestinais.
O sinal mais alarmante e que geralmente causa ainda mais ansiedade é a dor forte no peito, muitas vezes motivo para ir com urgência ao hospital. Pode ser confundida com um ataque cardíaco, trazendo preocupação para quem sente e para quem está próximo.
Por ser um sintoma emocional, ainda tem muita gente que considera ansiedade uma bobagem, uma preocupação excessiva sem motivo ou uma boa desculpa para se ausentar.
As crises de ansiedade podem impedir uma pessoa de sair de casa ou de conviver com outras pessoas. Além disso, a pessoa ansiosa parece estar sempre com os pensamentos em outro lugar. Enquanto está trabalhando, estudando ou em atividades coletivas e familiares, o indivíduo com ansiedade está mentalmente fazendo mil planos, criando diversos cenários, ruminando um problema. É como se ele não estivesse ali.
QUAIS SÃO AS POSSÍVEIS CAUSAS DA ANSIEDADE?
A principal causa da ansiedade é a angústia, o temor de que algo está para acontecer. Este algo geralmente está inconsciente e por isso é tão complexo. Sentir algo tão ruim e sem nem mesmo saber o motivo? É exatamente isso!
Para Freud, a angústia pode estar relacionada ao medo de perder algo, de se separar ou de ser abandonado por alguém:
- Medo de perder algo material ou emocional – o trabalho, a saúde, o dinheiro, um bem, a reputação, o amor, o controle;
- Medo de se separar ou de ser abandonado por alguém – pais, filhos, namorados, amigos, cônjuges, escola, cidade, país.
As crises de ansiedade podem aparecer em situações diversas, normalmente associadas ao que, inconscientemente, não queremos perder. O excesso de preocupação com o trabalho, por exemplo, pode ser reflexo da angústia de não se sentir mais útil, de perder o emprego e não conseguir pagar as contas, de não ser reconhecido. Diante da angústia o indivíduo começa a pensar em formas de evitar que algo ruim aconteça, criando mentalmente vários tipos de hipóteses e cenários. Surgem planos, expectativas e uma série de “se acontecer X, vou fazer y”. Em alguns casos a pessoa pode até se sentir perseguida ou o alvo de colegas que querem “puxar o tapete”.
E COMO TRATAR A ANSIEDADE?
Existem diversas técnicas e terapias que ajudam a tratar os sintomas da ansiedade. Meditação, massagens, terapias alternativas, boa alimentação, atividade física, terapias comportamentais, reuniões de grupos e até medicamentos podem amenizar os sintomas e trazer alívio e bem-estar à pessoa ansiosa. Porém, quando tratamos somente o sintoma, a angústia pode retornar em outros momentos ou de outras formas.
A psicanálise consegue ir além dos sintomas. Por ser um processo terapêutico que trabalha com o inconsciente, ela permite ao indivíduo ansioso identificar a causa da sua angústia. Desta forma, ele consegue reconhecer a ansiedade como um sinal da angústia e desenvolve formas de se apropriar e lidar melhor com essa angústia.
Falando o que sente, explorando os episódios de ansiedade, retornando para os momentos da vida onde a angústia apareceu e vencendo suas resistências – é através destas ações que o processo psicanalítico acontece e permite que o indivíduo encontre soluções para as suas angústias. A psicanalista não vai dizer o que fazer para aliviar os sintomas, ele vai provocar a pessoa ansiosa com perguntas e reflexões. Assim, se escutando e compreendendo seus conflitos, a pessoa consegue ter resultados transformadores e duradouros.
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