A Patologização de Adolescentes

Patologização é uma expressão utilizada para descrever o processo de associar vivências, situações e expressões humanas a alguma doença ou transtorno. E, muitas vezes, é a forma que encontramos de justificar o comportamento de alguém: “ele é assim porque deve ter um transtorno”.

Colocamos rótulos, muitas vezes sem fundamento, como nestes exemplos:

  • Ele/a vive triste, deve ter depressão
  • Ele/a se irrita facilmente, deve ter ansiedade
  • Ele/a não me obedece, deve ter TOD (Transtorno Opositor Desafiador)
  • Ele/a não consegue se concentrar, deve ter TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade)

Crianças e adolescentes são os grupos mais patologizados da atualidade. Por estarem em períodos de formação e de mudanças – biológicas e psíquicas – os comportamentos e reações oscilam muito, o que faz com que muitos adultos tenham dificuldade para lidar com esses jovens.

No caso dos adolescentes as mudanças são ainda mais impactantes pois esse é um período de definições, escolhas e renúncias. Por mais que todos os adultos tenham passado pela adolescência, cada indivíduo a experimentou de forma diferente.

Os adolescentes de hoje vivenciam as mesmas mudanças que as gerações anteriores, mas acrescidas de conflitos contemporâneos que os adultos muitas vezes não conseguem compreender.

Questões de identidade, gênero, orientação sexual, sentimentos ambivalentes (amor/ódio), alterações no corpo, mudanças (escola, bairro, cidade), separação dos pais, luto, escolha da profissão e início da vida profissional, entre outras, são atravessadas nesta fase.

Por isso é tão importante olhar e escutar a/o adolescente atual na sua individualidade, acolhendo seus conflitos e suas angústias sem julgamento e, principalmente, sem a patologização.

Isso exige empatia, paciência e interesse genuíno o que, muitas vezes, pela correria do dia-a-dia, os parentes, professores e amigos não conseguem oferecer a(o) adolescente.

Nestes casos em que não é possível ajudar diretamente o adolescente, o que pode (e talvez deva) ser feito é procurar uma orientação profissional – médica ou psicoterápica.

A psicanálise é um processo terapêutico bastante indicado para adolescentes. A psicanalista oferece uma escuta atenta e empática, sem confrontar, questionar ou duvidar do indivíduo. Além disso, a psicanalista não vai dizer a(o) adolescente o que ele precisa fazer. Ela vai acolher, escutar, trazer reflexões e ajudá-lo a atravessar esse momento tão transformador na vida do ser humano.

Quando falamos em patologizar, estamos nos referindo ao diagnóstico “selvagem”, sem base médica ou psicológica, que infelizmente acontece (e muito) nos dias de hoje,

Existem, claro, adolescentes depressivos, ansiosos, com TOD ou TDAH. Cabe ao médico psiquiatra ou neurologista diagnosticar e, se necessário propor tratamentos para estes casos. Os adolescentes que foram diagnosticados com esses transtornos também podem se beneficiar da psicanálise. Um tratamento multidisciplinar pode contribuir para que a adolescência seja um período um pouco mais leve para a pessoa.

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