“Coelhinho da Páscoa, o que trazes pra mim? Um ovo, dois ovos, três ovos, assim.” Você conhece essa música? Acredito que ela fez parte da infância de muita gente.
A Páscoa é uma data muito importante para os cristãos, pois se comemora a ressurreição de Cristo. Até que a criança se dê conta de que é uma data religiosa, para ela a Páscoa tem um outro significado: ganhar e comer chocolate. Para crianças e adultos, dar e receber ovos de Páscoa é um ritual muito importante e especial.
O chocolate faz parte da vida das pessoas e cada uma pode desenvolver um tipo de relação com ele: amor, desejo, proibição, vício, compensação, ódio, e a psicanálise é uma ferramenta eficaz para compreender e tratar essa relação. A Páscoa é um bom momento para refletir sobre a relação com o chocolate e é sobre isso que falamos no texto a seguir.
O chocolate é uma iguaria feita basicamente de cacau, leite e açúcar. É um alimento rico em triptofano que estimula o cérebro a produzir endorfina, hormônio que pode trazer um sentimento parecido com a felicidade, e serotonina, neurotransmissor que causa sensação de alívio e prazer. Por isso é muito fácil desenvolver uma relação de amor com o chocolate, já que ele causa prazer imediato e de fácil acesso.
Por trazer prazer e felicidade e conter açúcar, uma substância altamente viciante, o chocolate pode provocar a chocolatria. Chocólatra é alguém com vício em chocolate, equivalente ao vício em drogas, álcool, jogos. O chocólatra não consegue ficar sem chocolate e isso não é apenas na Páscoa, mas no ano inteiro, o tempo todo. A chocolatria pode trazer problemas de saúde pelo alto teor de gordura, mas também pode trazer conflitos nos relacionamentos, sentimentos de culpa, vergonha, baixa autoestima e crises de abstinência que resultam em dores de cabeça, irritação e até comportamentos de risco, como sair de casa de madrugada atrás do chocolate.
Nem toda pessoa que ama chocolate é um chocólatra e é importante refletir sobre isso. O chocolate pode ser uma estratégia (ou desculpa, por que não?) para aliviar os sintomas da TPM, do estresse, da ansiedade. Também pode ser usado como um substituto para um carinho, para compensar a falta de atenção, para tentar se livrar da tristeza ou uma forma de tornar a vida mais doce. O chocolate é um dos presentes mais trocados pelos casais apaixonados, levado para pessoas que estão se recuperando de alguma doença ou acidente, prometido para as crianças (inclusive a que mora no adulto) como recompensa por um bom comportamento.
A relação com o chocolate pode ser saudável, quando há moderação e consciência sobre o consumo. A relação também pode ser benéfica para a saúde, já que o chocolate amargo também contém antioxidantes. O problema é quando a relação vira dependência ou compulsão e começa a afetar a qualidade de vida do indivíduo. Infelizmente, na maioria das vezes, o próprio indivíduo não percebe que está em uma relação complicada com o chocolate e demora para procurar ajuda.
Há muitos tratamentos para a chocolatria, compulsão ou consumo excessivo de chocolate que vão da medicação às terapias. Depende de cada indivíduo e também da intensidade, frequência e motivação do consumo.
A psicanálise é uma técnica terapêutica que pode ajudar o indivíduo a compreender a sua relação com o chocolate e suas motivações inconscientes por trás dessa relação. Nas sessões o paciente vai falar sobre afeto, doçura, conforto, prazer, compensação, relaxamento, alívio e tudo o que ele associa ao chocolate. Percorrendo a sua história e seus relacionamentos é possível compreender seus desejos inconscientes que estão por trás de sua relação com o chocolate. Dessa forma, pode fazer escolhas de forma consciente, inclusive a de comer um chocolatinho na Páscoa, sem culpa ou medo.
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