O que nossas preferências falam sobre nós?

Provavelmente você tem um filme preferido, um livro que foi marcante para você, uma série que te prendeu muito a atenção. Você já parou para pensar por que gosta de certos filmes, músicas ou livros? Ou por que algumas histórias parecem tocar sua alma enquanto outras não despertam interesse algum? Nossas preferências culturais – os filmes que assistimos, as músicas que repetimos, os livros que nos envolvem – não são aleatórias. Pelo contrário, elas podem revelar muito sobre nossa subjetividade, nossos desejos inconscientes e até mesmo nossos conflitos internos.

Nossos gostos e o inconsciente

Na psicanálise, entende-se que nada em nós é fruto do acaso. Se um livro prende nossa atenção ou uma música nos emociona profundamente, há algo nessa escolha que ressoa com nossa história. Muitas vezes, nos identificamos com personagens, enredos ou melodias porque eles simbolizam algo que vivemos, desejamos ou tememos.

Por exemplo, uma pessoa que sempre se emociona com histórias de superação pode estar, inconscientemente, buscando elaborar seus próprios desafios internos. Quem prefere livros sobre mistérios e investigações pode ter uma relação forte com o desejo de descobrir verdades escondidas – dentro de si ou no mundo. Já aqueles que evitam certos temas podem estar, na verdade, fugindo de conteúdos que despertam angústias profundas.

A arte como espelho da psique

Filmes, séries e músicas funcionam como espelhos simbólicos: eles nos mostram aspectos de nós mesmos que, muitas vezes, não conseguimos expressar diretamente. É por isso que, em determinados momentos da vida, mudamos nossas preferências – um gênero de filme que antes adorávamos pode deixar de fazer sentido, enquanto novas paixões culturais surgem. Isso acontece porque estamos em constante transformação psíquica, e nossas escolhas acompanham esse movimento.

O que suas preferências dizem sobre você?

Observar seus gostos com um olhar psicanalítico pode ser uma forma interessante de autoconhecimento. Pergunte-se:

  • Quais temas mais me atraem na ficção? Eles têm relação com minha história de vida?
  • Existe um padrão nas minhas escolhas? Prefiro narrativas de amor, aventura, tragédia?
  • Que sentimentos minhas preferências despertam? Busco conforto, desafio, identificação?

Essas perguntas não têm respostas prontas, mas podem ajudar a entender melhor os conteúdos psíquicos presentes em nossas escolhas. Afinal, aquilo que consumimos culturalmente não é apenas entretenimento: é também uma janela para o nosso inconsciente.

Conclusão

Nossos gostos dizem muito sobre quem somos, o que desejamos e até o que evitamos. Observar com atenção nossas preferências pode ser um caminho para compreender melhor a nós mesmos. E você, já pensou sobre o que seus filmes, músicas e livros favoritos revelam sobre sua subjetividade?

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