Reflexões sobre o vazio

Sentimos, mas não sabemos como e nem porquê. Não sabemos nem mesmo descrevê-lo e isso costuma causar angústia, preocupação ou tédio.

Geralmente não suportamos o vazio e procuramos preenchê-lo nos ocupando demais, comendo demais ou dormindo demais. Ou então começamos a criar fantasias para parar de pensar no vazio, tentamos encontrar uma forma de fugir dele.

A melhor forma de lidar com o vazio não é fingir que ele não existe. É importante sentir o vazio, tentar identificar os momentos em que ele aparece com mais intensidade, tentar falar sobre ele.

O vazio aparece onde há falta. Onde sempre faltou ou onde, um dia, ele foi excessivamente preenchido.

A psicanálise é uma abordagem terapêutica conhecida como “cura pela fala”. Falar sobre o vazio que se sente é uma das formas de conseguir reconhecer e lidar melhor com o vazio.

Sobre a procrastinação

Procrastinação é a arte de deixar para depois o que deveria fazer agora.

Ela aparece quando estamos diante de tarefas chatas, difíceis ou demoradas. É quando escolhemos, naquele momento, fazer algo mais legal ou nos distrair com alguma coisa.

Sabemos das consequências – atrasos, correria, objetivos não atingidos – e ainda assim simplesmente não conseguimos fazer o que precisa ser feito.

Há muitas teorias comportamentais que abordam a procrastinação, muitas com exercícios e reflexões para desenvolver a disciplina e automotivação. E elas podem funcionar de maneira paliativa.

Quando colocamos a procrastinação sob o olhar da psicanálise, percebemos que não é uma questão de preguiça, indisciplina ou falta de força de vontade.

Freud abordou o tema na teoria do princípio do prazer, mostrando que tendemos a buscar o prazer imediato e evitar o desconforto. Por isso evitamos tarefas que nos geram ansiedade ou exigem um esforço maior e vamos atrás de uma distração ou de uma alívio momentâneo.

Também costumamos adiar tarefas complexas e demoradas, geralmente por medo de fracassar.

A psicanálise nos mostra que a procrastinação é uma manifestação inconsciente resultante dos conflitos psíquicos que enfrentamos e dos desejos que nem mesmo conhecemos.